Lendo o conto pornográfico dela
e já ciente que ela gostaria que eu o comentasse,
uma dessas minhas putas hospedeiras
resolveu sentar bem em cima dele,
letra por letra,
primeiro devagar e sem pressa,
depois elétrica
e
des
ca
be
la
da,
depois com dois catatônicos O.lh.O.s
Abruptamente congelados no foco da penteadeira de um quarto imaginário de bordel
(bordei um boldel degustando as palavras dela)
A personagem desfigurada
Vezes ela,
vezes Iansã,
vezes todas,
vezes eu,
Borrifava seu gozo e o gozo dos caralhos
em toda puta que toda mulher já nasce sendo
mas
não
sabe
ou
prefere
não
TOCAR
no assunto.
O desenho do teu conto é reto e preciso.
Teso.
Geométrico como um maxilar.
Rebento sintático de aspereza cálida.
Um tiro.
Tiro à queima roupa.
Metralhas assim:
incisiva e mundana
porque escreves
"coberta
por
carne
quente"
(ponto)
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Ele é de poucas palavras
fala rindo de si.
O que ele não fala, ele mira.
Mira bem dentro,
aqui.
O coração dele é roxo.
O meu é carmim.
Ele revelava segredos
num tom verde-capim
Eu rolava na grama dos segredos dele,
tão solta,
tão rindo de mim.
O coração dele é roxo.
O meu é carmim.
Rindo de nós em nós
num laço mal-dado,
num café esquentado,
porque nós
nus gostávamos
assim.
Pausa - E desfoco dessa poesia, bem atenta:
Na grama dos segredos dele,
enquanto ele falava e eu escrevia
nascia uma flor JAZZ-mim.
(T.C)